The Out Campaign

A Campanha Out

por Richard Dawkins


31 de julho de 2007

Nos dias sombrios de 1940, o governo francês pré-Vichy foi advertido por seus generais: "Em três semanas a Inglaterra terá seu pescoço torcido como uma galinha." Após a Batalha da Grã-Bretanha, Winston Churchill resmungou a sua resposta: "Que galinha; que pescoço!" Hoje, os livros mais vendidos do 'Novo Ateísmo' são desacreditados por aqueles que desejam desesperadamente minimizar seu impacto, como "Só pregando para o coro."

Que coro! Apenas?!

Na medida em que impressões subjetivas permitem e na admitida ausência de dados rigorosos, eu estou convencido de que a religiosidade nos Estados Unidos é bastante exagerada. Nosso coro é muito maior do que muita gente pensa. Os religiosos ainda são mais numerosos que os ateus, mas não pela margem que eles esperariam e que nós temeríamos. Baseio este fato não só em conversas durante a turnê de meu livro e nas turnês dos livros de meus colegas Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens, mas em pesquisas informais generalizadas da World Wide Web. Não em nosso próprio site, cujos contribuidores são obviamente tendenciosos, mas, por exemplo, na Amazon, e no YouTube cujos usuários são jovens. Além disso, mesmo que os religiosos tenham os números, nós temos os argumentos, temos a história do nosso lado e estamos andando com uma nova primavera em nosso encalço - você pode ouvir o palavreado suave dos nossos pés por todos os lados.

Nosso coro é grande, mas grande parte dele permanece no armário. Nosso repertório pode incluir as melhores melodias, mas também muitos de nós estamos nos expressando em voz, cabeça e olhos baixos. Daqui resulta que uma parte importante de nosso esforço para o crescimento da conscientização deve ser visto, não na conversão religiosa, mas no encorajamento a não-religiosos em admiti-lo - para si próprios, às suas famílias e ao mundo. Este é o objetivo da campanha OUT.

Antes de prosseguir, devo prevenir um grande risco de mal-entendido. A comparação óbvia com a comunidade gay é vulnerável a ir longe demais: o "OUT" [N.T.: sair, fora, para fora] como um verbo transitivo cujo objeto pode ser uma pessoa infeliz ainda - ou sempre - indisposto a confiar no mundo. Nossa campanha OUT não terá nada, repito, nada a ver com "sair" ativamente nesse sentido. Se um ateu enrustido quer sair do armário, que seja sua a decisão de fazê-lo, e de ninguém mais. O que podemos fazer é fornecer apoio e incentivo para aqueles que voluntariamente o decidirem. Isto pode parecer trivial para pessoas em parte da Europa, ou em regiões dos Estados Unidos, dominadas por intelectuais urbanos onde o apoio e o incentivo são desnecessários. É tudo menos trivial para pessoas em outras áreas dos Estados Unidos, e mais ainda em algumas partes do mundo islâmico, onde a apostasia é, pela autoridade do Corão, punível com a morte.

A campanha OUT tem potencialmente tantos lados como você pode pensar em palavras para preceder o "out". "Come OUT" [N.T.: "sair"] tem cadeira de honra e é aquela que tenho tratado até agora. Relacionado ao que é "Reach Out" [N.T.: "estender a mão", "alcançar"] em amizade e solidariedade para com aqueles que saíram do armário, ou que estão contemplando esse passo que, dependendo da sua família ou preconceitos de sua cidade natal, pode exigir coragem. Junte-se, ou funde grupos de apoio local e fóruns on-line. "Speak OUT" [N.T.: "fale", "expresse-se"], para mostrar aos indecisos que os mesmos não estão sozinhos. Organize conferências ou eventos em universidades. Participe de comícios e passeatas. Escreve cartas ao jornal local. Faça lobby político, em nível local e nacional. Quanto mais pessoas saírem o tornarem público, mais fácil será para que outros os sigam.

"Stand OUT" [N.T.: "marque presença", "diferencie-se"] e organize atividades e eventos em sua região. Participe de uma organização ateísta existente em sua vizinhança, ou comece uma. Coloque um adesivo em seu carro. Vista uma camiseta. Vista o "A Vermelho" criado por RDFRS se você gostar da camiseta tanto quanto eu, caso contrário crie a sua própria ou encontre uma num site como http://www.cafepress.com/buy/atheist - ou não vista camisa alguma, mas por favor não interfira na ideia de ficar de pé para ser contado com outros ateus. Eu admito, simpatizo com os céticos deste site, que temem que estamos gerando uma quase conformidade religiosa entre os nossos. Quer gostemos ou não, temo que precisemos engolir um pouco de orgulho se quisermos ter uma influência sobre o mundo real, caso contrário, nós nunca superararemos o problema de "pastorear gatos". 


"Keep OUT" [N.T.: "permanecer fora", "deixar de fora"] me preocupou no início, porque soa hostil e exclusivo, como uma agência de viagens de Barcelona cujo cartaz, no bem-intencionado inglês, lê-se "Go Away!" [N.T.: "Vá embora!"]. "Keep OUT" significa, naturalmente, manter a religião fora das aulas de ciências, e expressões semelhantes da separação constitucional americana entre Igreja e Estado (a Grã-Bretanha não tem essa separação, infelizmente). Como mais uma excelente camiseta estampa, "Não ore em nossas escolas, e eu não vou raciocinar em suas igrejas." Influencie seu conselho escolar local. Cite Christopher Hitchens: "Senhor Jefferson, construa aquele muro."

"Chill OUT" [N.T.: "tranquilizar-se"] (exorte os outros a fazê-lo). Os ateus não são demônios com chifres e rabo, eles são pessoas comuns e agradáveis. Demonstre isso por exemplo. A bela mulher ao lado pode ser uma atéia. Podem também o médico, o comediante, o bibliotecário, o operador de computador, o taxista, o cabeleireiro, o apresentador de talk show, o cantor, o maestro. Os ateus são apenas pessoas com uma interpretação diferente das origens cósmicas, nada para se alarmar.

Que outros OUTs poderíamos imaginar? Bem, sugiro o seu próprio. "Vote OUT" [N.T.: "não vote em"] representantes que discriminam os não-religiosos, o modo como George Bush pai é acusado de ter feito quando descreveu ateus como não-cidadãos de uma nação "sob Deus". Os políticos seguem os votos. Eles só podem contar os ateus que estão OUT [N.T.: "à mostra", "visíveis"]. Alguns ateus são derrotistas ao pensar que nunca seremos efetivos, simplesmente porque não somos uma maioria. Mas não importa se não somos maioria. Para nos tornarmos efetivos, todos temos de ser reconhecidos para os legisladores como uma minoria suficientemente grande. Os ateus são mais numerosos que os judeus religiosos, mas exercem uma pequena fração de seu poder político, aparentemente porque nunca conseguiram agir em conjunto como o lobby judeu tão brilhantemente tem conseguido: o famoso problema de "pastorear gatos" novamente. E o argumento não se aplica apenas aos políticos, mas para os anunciantes, a mídia, os comerciantes de todos os tipos. Qualquer pessoa que queira vender-nos qualquer coisa serve para a demografia. Temos de nos levantar e sermos contados, assim a cultura demograficamente mais experiente virá a refletir sobre nossos gostos e nossas opiniões. Por sua vez, isso torna as coisas mais fáceis para a próxima geração de ateus. "Fill OUT" [N.T.: "preencha"] 'ateu' em qualquer formulário que pede os seus dados pessoais, especialmente o formulário do próximo censo.

"Break OUT" [N.T.: "quebre as barreiras", "escape"]! Algumas pessoas podem gostar de realizar festas de "saída do armário" onde comemoram com alegria a coragem daqueles que decidiram deixar para trás os hábitos de uma vida, ou os hábitos de seus antepassados, abraçar uma vida realista e livre de superstições e "Break OUT" para o mundo real. "Break OUT" da conformidade religiosa e, em comemoração à sua nova liberdade descoberta, estoure o champanhe.

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